II CONGRESSO VOCACIONAL DO BRASIL
Tema: Igreja, Povo de Deus a Serviço da Vida Lema: "Ide também vós para a minha vinha"
A METODOLOGIA E O PLANEJAMENTO NO SERVIÇO DE ANIMAÇÃO VOCACIONAL
1. Premissas
1.1 Quanto à proposta de reflexão - Explicitar a necessidade e urgência de um planejamento vocacional tanto do ponto de vista organizativo e estrutural quanto dos processos de planejamento, quanto para os itinerários. - Planejar o que, para que, onde, com quem, em vista do Reino, a vinha do Senhor, que se realiza pelo serviço da Igreja, povo de Deus. - A temática de uma metodologia de planejamento para o serviço de animação vocacional é recente e vem se impondo na medida em que se complexifica a realidade e a demanda exige respostas mais precisas e evangélicas.
1.2 Quanto à ação evangelizadora - Justificativas para um planejamento: a própria dinâmica da evangelização. - Responsáveis do grande projeto: todo o povo de Deus. Convocamos os presbíteros, os diáconos, os consagrados e consagradas, os leigos e leigas envolvidos na ação pastoral. - Na Igreja particular como comunhão de vocações, carismas e ministérios, há tarefas e responsabilidades específicas.
1.3 Quanto ao serviço de animação vocacional - Ela é uma atividade organizada e orgânica, com a mesma e fundamental dignidade de qualquer pastoral. - A pastoral vocacional se entende como o serviço a cada pessoa a fim de que ela possa descobrir o caminho para a realização de um projeto de vida tal como Deus o quer e como o mundo de hoje necessita.. - Como diz o 1. o Congresso V ocacional do Brasil, a pastoral vocacional é uma ação evangelizadora, uma atividade eclesial da comunidade de fé. 2. O Magistério da Igreja
2.1 Eficaz programação e diretrizes concretas
Lançar-se para o futuro (dunc in alto). É a profecia do futuro que consiste em guardar o tesouro da graça recebida, traduzindo-a em ardentes propósitos e diretrizes concretas de ação.
Neste sentido a proposta consiste um assumir um dinamismo novo, que leve a investir em iniciativas concretas o entusiasmo que se sente: eficaz programação.
É necessário e urgente estruturar uma vasta e capilar pastoral vocacional. 2.2 Itinerários característicos e pedagogia evangélica O serviço às vocações é um dos novos e mais comprometedores desafios que se tem de enfrentar. É preciso instaurar novas e mais profundas formas de encontro, itinerários característicos, uma pedagogia evangélica.
2.3 Prioridade nos programas de formação dos cristãos leigos Figurar entre as prioridades da diocese e ser colocada nos programas pastoral, de modo que todos os esforços da comunidade (sacerdotes, religiosos) possam convergir para esse fim.
de ação leigos e
3. A Igreja no Brasil
3.1 A ação evangelizadora da Igreja e a necessidade de planejar );> Na Igreja todos agem coordenadamente para o objetivo comum da evangelização. Por isso que inserida na história e atenta à realidade busca discemir nos desafios os sinais dos tempos. );> Deve também agir de maneira articulada, eficiente, fiel à sua missão e atenta aos novos desafios. );>Daí a necessidade de diretrizes orientativas. Elas devem inspirar dioceses, paróquias e comunidades, na elaboração de seus planos ou programas pastorais, no espírito de uma recepção criativa' );> As comunidades ec1esiais de base e os diversos grupos, organismos e movimentos particulares se articulem ou se integrem convenientemente na paróquia e na diocese. );> Faz-se necessário que todos os fiéis, diretamente, ou por meio de representantes eleitos, participem quanto possível não só da execução, mas também do planejamento e das decisões relativas à vida ec1esial e à ação pastoral, bem como da avaliação.
3.2 - Estruturar e organizar a pastoral vocacional );> 1.0 Congresso V ocacional do Brasil: elaboradas indicações e pistas muito concretas, condensadas no documento, final. );> Constata que na pastoral vocacional falta uma maior integração e articulação entre dioceses, congregações, paróquias e pastorais. );> Lembra que entre os temas que merecem aprofundamento está a integração com as pastorais afins, especialmente a família, a juventude e catequese, à luz das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora. );> Indica como um dos desafios a organização e articulação das equipes de animação vocacional capazes de ir ao encontro dos vocacionados e das vocacionadas. ~ E propõe, entre tantas pistas de ação, estruturar a pastoral vocacional nas paróquias, dioceses e regionais e fazer a integração entre a pastoral vocacional e as pastorais afins (família, juventude, catequese,....
3.3 Protagonistas e sujeitos ativos ~ O Ano Vocacional 2003: formar uma Igreja com fisionomia vocacional. Todos os batizados são responsáveis pelas vocações, ou seja, são protagonistas, o sujeito ativo da animação vocacional. ~ O resultado deste processo é que as dioceses, as paróquias e comunidades deixem de considerar a dimensão vocacional como um elemento secundário, um acessório, uma pastoral a mais, uma parte.
3.4 Planejamento e projeto pastoral ~ O 2.0 Congresso V ocacional do Brasil: propõe-se ser expressão da vida e da organização da pastoral vocacional e do trabalho de animação vocacional realizados. ~ Papel do serviço de animação vocacional: sensibilizar as consciências de modo que o problema das vocações esteja no centro de todo tipo de projeto e de planejamento pastoral. ~ Por isso em todos os âmbitos da Igreja diocesana devem ter lugar prioritário a animação vocacional, a equipe vocacionais, os serviços vocacionais. ~ Sujeitos e agentes da sensibilização são os animadores e animadoras vocacionais. ~ Criam-se as condições para que todos os batizados e batizadas possam assumir com entusiasmo sua vocação e missão. ~ Transformar a própria preocupação e responsabilidade em ações concretas. É isto que permite uma boa metodologia e um eficiente planejamento. ~ O serviço de animação vocacional tem um lugar e tarefa própria: urge organizar uma vasta e capilar animação vocacional que envolva toda a comunidade. ~ É indispensável também criar organismos e estruturas mínimas que possibilitem o funcionamento da pastoral vocacional. ~ Papel fundamental tem as equipes regionais, diocesanas e paroquiais, que passaram a ser indispensáveis para a coordenação e a promoção das vocações, em todas as dimensões pastorais da vida cristã, sendo o espaço normal de orientação e acompanhamento dos vocacionados e vocacionadas. ~ O que instiga e desafia: a proposição de que o serviço de animação vocacional esteja no centro de todo tipo de projeto e planejamento pastoral. ~ O desafio consiste em transformar o cuidado e a responsabilidade em ações concretas. ~ A mediação de uma metodologia de planejamento contribui eficaz e eficientemente para avançar neste sentido.
4. Referências e fundamentos para o planejamento do serviço de animação vocacional
4.1 Sociais e culturais ~ A missão da Igreja exige capacidade de discemir os germes evangélicos que estão presentes no atual pluralismo cultural. ~ A Igreja está viva nesta sociedade e é chamada a dialogar com as culturas, acolhendo as questões vitais, adotando a pedagogia da acolhida e da identificação e favorecendo uma cultura de projeto para evitar respostas ocasionais, extemporâneas. ~ Do ponto de vista social e cultural: uma gama de problemas e questões bastante complexas, que de forma comunitária e eclesial requerem uma ação conjunta. ~ O não planejar leva ao risco de desperdiçar tempo e recursos, de se dispersar e falir.
4.2 Teológicas e pastorais ~ A natureza e a necessidade: mais orgânica e unitária ação evangelizadora que se exprime também por um planejamento baseado no contínuo e constante caminho de conversão pessoal e eclesial. ~ Cuidado na necessidade de coordenar as várias ações de aposto lado para uma evangelização nova, renovada quanto às suas motivações, aos métodos, às propostas. SA V: necessita de uma prospectiva unitária-sintética, de uma orgânica ação pastoral. ~ Na ordem teológica lembra-se a pastoral da encarnação, cujo desafio consiste em mergulhar na realidade e acolher os gemidos e gritos de libertação e de vida. ~ Urgência de eclesialidade, de comunhão e de participação, em Jesus que revela o Pai e dá o Espírito. ~ Na ordem mais pastoral temos as exigências da organicidade, onde a eficácia da fé comporta princípios orientadores, objetivos, opções, estratégias, iniciativas práticas. Daí o planejamento participativo em todos os níveis e pessoas interessadas. É a resposta específica, consciente e intencional às exigências da evangelização.
4.3 Intencionalidades ~ A intencionalidade teológica se encontra na atuação da missão evangelizadora da Igreja entendida como colaboração, hoje, com Deus na realização do Reino já iniciado, mas não plenamente realizado. A ação do Espírito Santo na Igreja e na história humana passa também através das mediações realizadas pelos agentes pastorais, as mediações humanas. ~ A intencionalidade eclesiológica se encontra na comunhão com Jesus Cristo e dos cristãos entre si. Essa comunhão orgânica se caracteriza pela diversidade e pela complementariedade das vocações e condições de vida, dos ministérios, dos carismas e.das responsabilidades. O planejamento assume esta idéia de Igreja.
4.4 Deduções para o planejamento Deducões: a) um processo reflexivo, onde na base existem precisos princípios orientadores; b) orgânico, de forma bem ordenada e equilibrada; c) aberto, em contínua evolução, dinâmico; d) projetado para o futuro a partir da realidade presente, jogado para frente, como diz a própria etimologia; . e) possível mas não de todo previsível, e que tem como finalidade tomar sempre mais significativo e interpelante o anúncio da fé na vida cristã de hoje.
4.5 Modelo de referência para o planejamento ~ Aquele que favorece a participação mais ampla possível, quantitativa e qualitativamente, dos diversos ministérios, serviços e funções eclesiais. ~ Modelo de comunhão com participação diferenciada. Envolve-se a todos sem confundir, anular ou desvalorizar as competências de cada um. ~ Ele respeita o princípio da gradualidade e da diferenciação, valoriza as pessoas naquilo que cada um pode oferecer e sabe dar, e que todos sejam ouvidos e contemplados, responsabilizados e comprometidos nas decisões tomadas. 5. Princípios orientadores para a articulação do planejamento ~ A organização da animação e da pastoral vocacional tem como pressuposto uma pastoral de conjunto. De forma mais ampla ela é entendida como o esforço para juntar as forças vivas da igreja. De forma mais profunda significa o empenho em passar das atividades pastorais isoladas a uma ação pastoral, com objetivos e continuidade. Instrumento é o planejamento pastoral. Busca de uma articulação que comporta a planificação pastoral, a instituição de organismos de reflexão, execução e avaliação. ~ Os princípios orientadores: a) Variedade e complementariedade; b) Autonomia; c) Subsidiariedade; d) Participação responsável. A articulação envolve: a) Pessoas; b) Atividades; c) Conteúdo. ~ Alcançar os níveis pessoal, comunitário e social. Articular as atividades permanentes com as atividades conjunturais, para determinados tempos e situações.
6. O método como referência, ou, a importância do método ~ Pertence ao conteúdo da evangelização, além da mensagem evangélica, também a prática de Jesus, logo, a prática de todo evangelizador. ~ Conforma a pedagogia e condiciona a metodologia: é o conteúdo da evangelização. Não basta aplicar certos métodos e técnicas. Os métodos só são eficazes na medida em que estiverem relacionados com o que constitui a própria evangelização, entendida esta como a mensagem e a prática de Jesus. ~ O sentido e o conteúdo da fé só são autenticamente anunciados, se respaldados pela caridade, pelo amor, pelo testemunho, por uma experiência concreta da fé que se anunCIa. ~ Na evangelização é fundamental não só o que se anuncia, mas igualmente a maneira como se opera o processo que, em si mesmo, pode ser altamente evangelizador, ou não, dependendo de como atuam os evangelizadores. ~ A metodologia deve estar baseada na mensagem evangélica e na forma da relação de Jesus com as pessoas. ~ O método não pode contradizer nem seu conteúdo e nem sua meta. Como o Reino de Deus simboliza a intencionalidade da evangelização, conseqüentemente as atitudes e as posturas que adotem os agentes de pastoral devem estar marcados pelos valores do Reino - a justiça, a paz e o amor. ~ Esta intencional idade deve incidir sobre o próprio processo e a prática da evangelização.
7. Metodologia de planejamento, ou qual metodologia ~ Diversas metodologias de planejamento estão em uso, tais como a normativa, a estratégica, a prospectiva e a participativa. ~ No âmbito da ação pastoral cada uma traz uma ec1esiologia e uma mística subjacente. ~ No horizonte do concílio Vaticano II uma metodologia de planejamento se move mais coerentemente. Neste caso a metodologia participativa é a que .melhor consegue dialogar com a racionalidade moderna, com a teologia pós-conciliar e com a reflexão teológica e pastoral atual. 7.1 Planejamento participativo ~ O planejamento participativo não é uma simples aplicação de um método, composto de passos estruturados tecnicamente. ~ Os métodos são portadores de conteúdo e de um espírito que dá vida à técnica. ~ Planejamento é um processo dinâmico e complexo que envolve, além de uma dimensão técnica (forma), a dimensão conceitual e a dimensão política (fundo) ~ O método participativo exige condições prévias no âmbito pessoal, grupal e institucional. ~ O planejamento é instrumento eficaz capaz de ajudar a Igreja a ser sinal do Reino no mundo, de fortalecer, dar novo impulso ou desencadear processos de ação.
7.2 Planejamento como reencantamento da utopia ~ O reencantamento com o planejamento passa por um encantamento com a utopia, com o valor da reflexão e com o comunitário. ~ São elementos indispensáveis para gerar uma visão prospectiva do mundo, da igreja, da animação vocacional. ~ Planejamento é uma projeção do futuro desejável, é criar utopias desde os desafios presentes, é um pensar a ação, pois ele faz sonhar e trabalhar juntos, implica altruísmo, renúncia e descentralização. ~ O planejamento pastoral precisa hoje ser técnico, sem ser tecnicista; ser comunitário, sem ser massificante; ser comprometido, sem ser politizante; ser aberto ao universal, sem ser universalizante. ~ A metodologia de planejamento participativo é um instrumento precioso e indispensável para a vida da Igreja.
8. Planejamento e metodologia de projetos
8.1 Uma mentalidade de projeto ~ O processo de planejamento e concretizado na metodologia de projetos, que se constitui em um trabalho de gestão eficaz, orientado pela análise sistemática de situações e problemas vinculada à tomada de decisões para resolvê-Ios, e por uma. prática de associação entre conceitos e procedimentos, realizada de forma reflexiva, intensiva e consciente. ~ O projeto oferece o direcionamepto, as orientações para a ação e os elementos para o seu imprescindível monitoramento e avaliação, condições básicas para um processo de gestão eficaz. ~ É a partir de uma orientação mental de planejamento com a visão de resultados e ações concretas que se supera a prática de uma ação ligeira, de visão limitada e imediatista.
8.2 A qualidade do conteúdo ~ O planejamento e seus sub-produtos formais, o plano e ou o projeto, correspondem à qualidade do conteúdo que privilegia conceitos e. idéias sólidas e bem fundamentadas. ~ Qualidade política caracterizada pela vontade de agir, de colocar em prática o planejado, mudando a realidade. ~ Planejar corresponde a vislumbrar uma situação futura melhor, a construir esta realidade, e efetivamente a fazê-Io. Trata-se de materializar uma vontade de transformação da realidade, mediante objetividade e direcionamento claro de ações. 8.3 O método de projetos ~ A metodologia de projetos permite orientar e organizar os processos de gestão de ações de melhoria, de desenvolvimento, de mudança e de transformação organizacionaI. ~ O método de projetos é útil para a promoção de resultados efetivos, mediante ações organizadas, concentradas e sistematizadas. . ~ Um projeto tem começo e fim definidos, é dirigido por pessoas para cumprir metas estabeleci das dentro de alguns parâmetros de custo, tempo e qualidade.
9. Uma metodologia para o serviço de animação vocacional ~ O serviço de animação vocacional deve ter a sua metodologia. Não se pode pensar num trabalho vocacional improvisado, sem um método, sem uma dinâmica. ~ Depende também da mediação dos esquemas humanos e das metodologias. Mesmo que nenhuma técnica, por mais aperfeiçoada que sej a, substitua a ação discreta do Espírito Santo, isto não dispensa o compromisso e a participação humana. Essa metodologia tem alguns passos e condições.
9.1 Agir de forma coordenada e organizada . . ~ É preciso organizar, coordenar, articular e dinamizar as forças existentes na comunidade. . ~ A metodologia/organização quer ser um projeto orgânico que indique conteúdos e métodos, estruturas e iniciativas, linhas de ação e opções pastorai~~ com o fim de comprometer de uma maneira estável todas as comunidades.
9.2 Através da pedagogia do testemunho ~ Na articulação e organização pressupõe-se o testemunho de vida como essencial e determinante, que atrai e fascina, e está relacionada com a fidelidade de quem seguiu uma vocação e assumiu um serviço na comunidade. ~ A nova e sempre eterna pedagogia vocacionaI.
9.3 Com graça e ânimo . ~ A espiritualidade da animação vocacional: oração, orientação vocacional e a direção espiritual, oferecendo graça e ânimo. ~ Capacidade de parar para acolher e escutar. ~ Da relação entre os anseios e busca das pessoas e o serviço dos animadores e agentes depende vidas e vocações realizadas.
9.4 Em uma vasta e capilar ação vocacional ~ Assumir a animação vocacional como serviço comum que congregue todas as forças da Igreja e atinja todas as instâncias. . ~ A vastidão e capilaridade consistem em permear todo o tecido social e eclesial, envolvendo a comunidade de fé. ~ Neste prisma se deve trabalhar em conjunto, permanecendo o que cada um é. Olhar mais além dos interesses particulares é um dever de cada um.
9.5 Que contemple investimentos e recursos ~ Investir as melhores energias e recursos na animação vocacionaI. ~ Investimento inclui a qualificação de animadores vocacionais, a preparação e a formação de pessoas que se dediquem o tempo inteiro ao trabalho da direção espiritual e do acompanhamento dos jovens, na sensibilização de todos os membros de todas as comunidades sobre a importância decisiva da pastoral vocacional.
10. Conseqüências para a animação vocacional Ao lado do texto da vinha se propõe a releitura deste texto como referência bíblica para o planejamento, onde Jesus fala do Reino de Deus e das condições para segui-Io:
10.1 Se alguém de vocês quer... ~ Hoje é impossível fazer uma pastoral vocacional sem um prévio planejamento, bem pensado, estruturado e discemido. ~ Necessidade que seja um projeto global paroquial, diocesano, regional, nacional. Buscar compreender o melhor possível o contexto dos destinatários e atualizar os conteúdos vocacionais, bíblicos, teológicos, eclesiológicos, pastorais. ~ Discemir em cada momento e situação as metodologias mais apropriadas - o como ¬ abarcando todos os âmbitos e agentes pastorais.
10.2 Sentar primeiro ~ É preciso superar o amadorismo e a improvisação na ação. A atitude de sentar indica um processo de romper o que se está fazendo, repensando a própria ação. Somente assim se pode definir a direção do planejamento. ~ Do ponto de vista metodológico é importante de onde se situa e de onde se parte para fazer uma pastoral vocacional. De que lugar se faz e de que animação vocacional se fala. ~ Planejar significa deixar de improvisar, de fazer em partes, de departamentalizar e fragmentar demais, mas ir avançando. ~ Prever e projetar o futuro, ter uma atitude pró-ativa. ~ Pensar antes qual o melhor caminho para chegar a uma igreja ministerial e ter pessoas que assumam sua vocação e missão.
10.3 Construir uma torre ~ É preciso ter objetivos e metas definidas, o que se pretende fazer, onde se deseja chegar. É pensar antes de agir, durante a ação e depois dela. . ~ É um processo de tomada de decisão, de construção que exige etapas e estratégias apropriadas. ~ O mais importante é o planejamento, seu processo, e não o plano, que é o registro, a codificação das decisões. ~ O plano acaba, é um instrumento relativo, deve ser sempre retomado, mas o planejamento rejuvenesce, reorganiza a ação. ~ É um processo que não tem fim e altamente critico e propositivo.
10.4 Calcular os gastos para terminar ~ É preciso ter consciência dos próprios desejos, possibilidades e limites. ~ Calcular para atingir os resultados, a eficácia da fé, não somente a eficiência. ~ Cada época tem seu próprio Kairós, ou seja, sua oportunidade de agir e a ela se deve responder. ~ A mesma escassez de recursos é um indicativo, pois quanto menos se tem mais precisa se planejar. 10.5 Lançar o alicerce e capaz de acabar ~ Faz-se necessário ter começo, meio e fim. Não basta lançar as bases, iniciar o processo. ~ Exigem-se continuidade, progressividade, meios adequados para atingir as finalidades colocadas, a construção da torre. ~ As metodologias de planejamento comportam iniciação, linguagens simbólicas, formação em processo e com itinerários, assimilação e não ruptura do contexto, envolvendo todos os agentes e comunidades. ~ Alguns alinhamentos (linhas comuns, diretrizes): místico/espiritual; conceitual; estratégico; operativo.
11. Indicações para o planejamento no serviço de animação vocacional
11.1 Indicações quanto ao método
11.1.1 Planejar participativamente ~ A novidade está no modo como se planeja, pois ele determina a qualidade. ~ Pela própria natureza e identidade da animação vocacional se exige planejar de forma participativa (pluralidade e diversidade de carismas e ministérios).
11.1.2 Seguir um método ~ O método é um encadeamento de passos articulados. O principal são as pessoas, a comunidade, o povo de Deus, a Igreja decidindo seu caminho e intervindo na realidade. ~ Com ardor, novas atitudes, nova mentalidade; com novos métodos, abrindo-se a outras contribuições, já que os métodos são flexíveis, e existem muitas metodologias; e com nova expressão, tendo presente a nova época, os novos desafios, não repetindo o passado, fazendo de novo sempre o mesmo.
11.1.3 Construir o novo ~ Planejar vai significar produzir o novo na Igreja, já que concretiza a participação de todos os responsáveis e organismos, de todas as vocações, promovendo o envolvimento pessoal e comunitário. ~ O método de planejamento participativo as decisões são partilhadas, fazendo acontecer o protagonismo vocacional. ~ Acolhem-se todas as instâncias e responsáveis, todos são sujeitos, existe voz e vez. ~ Realiza-se aí a Igreja toda ministerial e servidora. ~ Todos assumem os programas e suas respectivas atividades, já que não é assumido também não é redimido, a exemplo de Jesus, que assumiu condição humana. Participação em todos os níveis: base, comunidade, local, paroquial, comarcal, diocesana, regional,... Participação de todos os grupos de trabalho, setores, pastorais.
11.2 Indicações quanto às condições indispensáveis para o processo
11.2.1 Condições pessoais ~ Garantir no processo a motivação e compromisso pessoal, tendo abertura e sensibilidade diante da realidade, agindo com objetividade e espírito crítico.
Ter criatividade para buscar novas respostas aos problemas existentes e uma atitude de pobreza e despojamento na busca da vontade do Senhor, reconhecendo quem chama, onde, e para que.
11.2.2 Condições do grupo de coordenação e articulação );> Identificar-se com os princípios e objetivos da ação vocacional, mantendo relações de igualdade que permitem o diálogo, o confronto das idéias e valorização do conteúdo. );> Importância da disciplina e compromisso de trabalho com a finalidade a atingir. O processo permite o discemimento comunitário para descobrir os melhores caminhos.
11.2.3 Condições estruturais e organizativas );> Compromisso e a participação ativa dos setores, organismos e primeiros responsáveis pela pastoral vocacional e da ação evangelizadora em geral, compreendendo, contribuindo e apoiando as decisões tomadas. );> Disponibilidade de recursos tanto para o processo de planejamento como para a aplicação do plano.
11.3 Quanto ao processo meto do lógico para o planejamento Dois marcos são fundamentais, um o referencial, o outro o operacional. São os pontos de referência, essenciais para agir, que orientam o grupo por onde ele precisa seguir seu trabalho. Lembramos que as dificuldades e os desafios para o planejamento da pastoral vocacional encontram-se basicamente nesta primeira etapa. Geralmente o hábito consiste em ir imediatamente para a programação de atividades, de forma bastante rápida e sem uma reflexão e análise mais profunda. Talvez esteja aí uma das causas da pouca eficiência e eficácia das ações.
11.3.1 Marco referencial No marco referencial se faz a análise da realidade, a reflexão teológico-pastoral e a elaboração do diagnóstico. E a base sobre a qual se alicerça um marco operacional conseqüente com a realidade histórica. É efetuado em três momentos.
a) O marco da realidade ou situacional É o "quem somos". Consiste no estudo da realidade sócio-pastoral, na análise dos principais problemas e no aprofundamento de suas causas. Descreve a realidade onde se desenvolve a ação. Por isso ela deve ser o mais possível objetiva e analítica da realidade social e pastoral, chegando possivelmente às causas dos problemas. Na prática significa, por exemplo, de uma forma, mais simples e direta, levantar inicialmente dez situações ou questões que respondam a seguinte questão: como está o serviço de animação vocacional? De uma forma mais científica e precisa, no caso de um plano diocesano ou institucional, elaborar um guia de investigação, fazer uma pesquisa de campo (entrevista, questionário, testes) e bibliográfica (livros, estudos, pesquisas). A partir dos dados obtidos, construir um relatório e fazer um estudo detalhado sobre ele, detectando as principais questões e temas.
b) O marco doutrinal ou a iluminação da fé É o "para onde vamos", ou o que queremos ser, mas a partir do que somos. É a iluminação Explicita-se através da Palavra de Deus, da Tradiçãó da Igreja e do Magistério, como deve ser a Igreja, a pessoa humana e a sociedade, o mundo, as vocações, a pastoral vocacional, segundo o projeto de Deus. Toma-se assim a resposta a partir da fé, a escuta dos desígnios de Deus. Enfim, se diz para que e qual o sentido das ações. De uma forma mais simples e objetiva se pode, a partir dos dados da situação levantada, responder com dois textos da Bíblia e dois do Magistério a seguinte pergunta: como deve ser o serviço de animação vocacional? De um modo mais preciso e completo, deve-se garantir sempre a participação dos que prepararam a primeira etapa. E elaborar um guia de temas doutrinais quantos forem necessários para iluminar a realidade. Depois explicitar estes temas e promover o estudo, a discussão e a redação final, que seria o marco doutrinal.
c) O diagnóstico pastoral É o confronto entre a realidade e a doutrina, uma comparação entre o que é ideal e a realidade pastoral. O diagnóstico consiste em identificar quais são realmente os problemas que devem ser enfrentados. Entre quem somos e o que deveríamos ser devem ser identificadas as forças de apoio e de resistência, as tendências negativas e positivas, as urgências, ordenando-as em prioridades ou destaques. De uma forma mais simples e objetiva se trata de identificar nas dez questões levantadas e na iluminação doutrinal feita duas urgências ou problemas mais evidentes e significativos. E responder a seguinte questão: qual a causa que impede o serviço de animação vocacional acontecer de forma plena? Ou seja, o que constitui impedimento para o que somos, ou se é, seja o que queremos, ou deva ser. De um bom diagnóstico e da detectação das causas depende as proposições a serem feitas. De uma forma mais completa significa determinar com precisão os problemas, levantar as forças e fatores de apoio e resistência, buscar pistas de resposta, ordenar em escala de urgência e estabelecer a prioridade dos problemas.
11.3.2 Marco operacional ou a ação pastoral de animação vocacional É a fase de tomada de decisões, da identificação da maneira de agir, da elaboração do plano de ação. É o esforço que se faz para diminuir a distância entre a realidade que se apresenta e o que se deseja alcançar. Indica como se quer agir, ou seja, como a animação vocacional vai se organizar e articular de modo planejado e assumido por todos. O marco operacional responde, de forma concreta, como agir para que as ações e atividades a serem programadas sejam realmente eficazes. São quatro os momentos.
a) O prognóstico pastoral O prognóstico consiste em estabelecer o objetivo geral da ação pastoral, os objetivos específicos, critérios e linhas de ação, metas e estratégias, inventário de recursos. . As decisões expressam a corresponsabilidade da comunidade ec1esial. Os objetivos determinam o que alcançar (o resultado) e para que alcançar (a razão). Respondem basicamente a estas duas questões, o que e para que se quer. São eles que asseguram a unidade do plano de ação. Os objetivos específicos são os caminhos concretos que ajudam a alcançar o objetivo e orientam os diferentes programas e projetos. Os critérios de ação indicam a maneira como se quer trabalhar e desenvolvem uma ação efetiva. As estratégias são os modos da ação que concretizam os objetivos. O inventário é feito a partir de um levantamento do que se dispõe ou se poderá dispor em termos de recursos humanos, fisicos, financeiros, didáticos, institucionais. De uma forma simples e objetiva, definida uma prioridade, se elabora o objetivo geral (o que), três objetivos específicos (para que), e quatro estratégias que viabilizam a prioridade que se torna proposta e se expressa no programa e nos projetos. b) A programação pastoral É a determinação dos programas e projetos pastorais com a finalidade de realizar os objetivos propostos. A programação é a concretização dos objetivos propostos e a aplicação das estratégias. Em um programa, por exemplo, para o serviço de animação vocacional, se agrupam um conjunto de atividades ou projetos. O projeto tem por finalidade sistematizar a tarefa da programação, abrange um tempo e espaço determinado, deve ser bastante claro e simples. Ele é um atividade ou ação concreta encabeçada por uma meta, ou seja, o que se quer alcançar com isso. Nesse sentido, hoje, uma metodologia de projetos, é a que melhor e mais eficazmente responde às necessidades do planejamento serviço vocacional. Por último o cronograma que é a distribuição em um tempo determinado, visualizando o conjunto de atividades programadas e os vários projetos a serem executados. Dito de outra forma, ao desenhar o projeto com sua meta ( o que), responsáveis e destinatários (quem), passos (como), recursos (com quem), recursos (com que), data (quando) e lugar ( onde), também se seguem os passos anteriores. A meta, os passos e os destinatários, basicamente, dependem das estratégias; os recursos e o lugar, do inventário; e a data depende do curso de ação e do prazo de realização estipulado para o plano. O curso de ação determina a ordem de execução das atividades, e o prazo de aplicação do plano indica as etapas de realização da programação.
c) A organização Consiste na articulação dos mecanismos de coordenação que irão animar, coordenar e supervisionar a ação. Esta etapa se ocupa da execução do plano, da distribuição do trabalho entre organismos, equipes e pessoas. É o suporte da programação. Definem-se os níveis eclesiais, os mecanismos de coordenação, os responsáveis e as respectivas funções. Na Igreja o mais importante é a obra da evangelização, realizada pelo Espírito Santo, com a colaboração das pessoas no coração da comunidade de fé e no mundo. A instituição, em suas estruturas, organismos e responsáveis está a serviço da evangelização. De um lado, o suporte institucional leva a uma ação eficaz e intencional. De outro, o tipo de ação determina também o tipo de estrutura apta para tomá-Ia efetiva. Evidencia-se quanto é fundamental e decisivo o envolvimento e compromisso de todos e de tudo, pessoas e estruturas, para um um eficaz planejamento do serviço de animação vocacional.
d) A avaliação Consiste numa profunda e humilde revisão da ação pastoral, a partir dos resultados obtidos e das dificuldades encontradas. É o confronto entre os resultados desejados e os efetivamente alcançados. A avaliação acontece antes, durante e depois do planejamento feito. Ela se faz durante o processo. Somente assim se pode perceber o que está sendo cumprido e se atende as necessidades da realidade. Entre os critérios para avaliação estão a periodicidade, os instrumentais utilizados, a adaptabilidade, a disponibilidade de recursos, a responsabilidade dos envolvidos, o desempenho. Na verdade a avaliação é o processo que permite ajustar, corrigir e adaptar às novas circunstâncias e às situações de emergência o planejamento e, também, celebrar as conquistas realizadas.
12. O serviço da liderança e da autoridade Na abordagem do serviço de animação vocacional como ação evangelizadora dois conceitos e/ou duas realidades emergem com insistência. A questão da liderança e da autoridade. Elas remetem ao próprio sentido do projeto de Deus, da vida e da missão de Jesus, como bom pastor, da expressão dos carismas, serviços e ministérios. Na metodologia de um planejamento pastoral a presença de líderes autênticos permite chegar aos resultados almejados. Enfim, destes dois serviços vai depender em grande parte a organização e estrutura do serviço de animação vocacional, de modo que o problema das vocações esteja realmente no centro de todo planejamento e projeto pastoral. A gestão é entendida como a competência e a arte para gerenciar processos e liderar pessoas, em vista da missão e da finalidade da instituição, da pastoral, do projeto e suas atividades. Gestão é gerir processos, ou seja, planejar, acompanhar, organizar.
12.1 O serviço da liderança É o serviço de condução, coordenação e animação que toda organização e cada grupo precisa ter. De certa forma, em todos os níveis e instâncias, há necessidade de ter competências específicas de liderança. Entre estas competências estão: a valorização das pessoas com quem se convive e trabalha; a criação de um espírito de equipe, para agir juntos, comunicando-se entre si; vencer o clima de competitividade presente como elemento natural em todas as relações. A convicção está em que o elemento de união é a finalidade, o projeto comum que está sendo desenvolvido, a missão. Nesse sentido o líder precisa ter sabedoria e humildade, abrindo-se para o diálogo, o que lhe confere a autoridade. Tem que saber ouvir, acolher, valorizar. Os requisitos principais são a capacidade de ouvir e a confiança no outro.
12.2 O serviço da autoridade Está na capacidade de a pessoa exercer bem a liderança, que consiste em valorizar cada indivíduo, na capacidade de ajudar as pessoas, as comunidades e os grupos a crescer. Sempre de novo se aprende a dificil arte do serviço da autoridade de um lado e da obediência de outro. Em qualquer papel ou serviço pode-se não ter o papel de líder maior, mas se tem parte de autoridade, pela qual se oferece a contribuição à missão comum, executando bem o serviço confiado, pois ele exige conhecimento. Se é autoridade na medida em que se interage com o outro e se exerce influência positivamente, no sentido construtivo e ativo, com testemunho e credibilidade, não apenas devido a um cargo ou função. A autoridade é o lado melhor da liderança. O autoritarismo é uma doença que bloqueia e não permite o crescimento pessoal, grupal, comunitário, eclesial. Enfim, uma metodologia de planejamento no serviço de animação vocacional comporta liderança e autoridade, no sentido evangélico, conforme vivido e praticado por Jesus Cristo.
MENSAGEM uSaibam de uma coisa: quem semeia com mesquinhez, com mesquinhez há de colher; quem semeia com generosidade, com generosidade há de colher. Cada um dê conforme decidir o seu coração, porque Deus ama quem dá com alegria"
Idem também vós para a minha vinha".
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