Estamos no Ano Sacerdotal. Os presbíteros, como ministros ordenados e principais colaboradores do respectivo Bispo, estão sacramentalmente ligados a missão apostólica. Este ano especial foi proclamado pelo Santo Padre em favor dos presbíteros, em razão do seu caráter insubstituível e devido à sua importância na Igreja. Como tais, necessitam hoje, de modo especial, de apoio e de renovação espiritual e pastoral. Por isso, gostaria de propor- vos, fraternalmente, que estejais muito próximos dos vossos presbíteros, que rezeis com eles e para eles. O Santo Padre deseja, de coração, que este Ano Sacerdotal seja bem recebido e bem realizado pelos Bispos, em suas Dioceses. Os nossos presbíteros precisam ser amados e sustentados na vocação e na missão, antes de tudo, pelo próprio Bispo e pela comunidade. Querem ser reconhecidos pelo que são e pelo que fazem; necessitam de ser ajudados e orientados para renovar em seus corações, a verdadeira identidade do sacerdócio e o verdadeiro sentido do celibato.
Neste contexto, será decisivo renovar e revigorar a espiritualidade dos presbíteros, a qual tem o seu fundamento no serem verdadeiros e incondicionais discípulos de Jesus Cristo, que os configurou a Si, Cabeça e Pastor da Igreja. Para este discipulado, tão determinante em suas vidas, precisam dedicar-se à escuta e à leitura orante da Palavra de Deus, à celebração quotidiana da Eucaristia, à recepção assídua do Sacramento da Confissão, à recitação da Liturgia das Horas, à visita frequente ao Santíssimo Sacramento, à recitação do Rosário e a outros meios de enriquecimento espiritual e de encontro e intimidade pessoal com Jesus Cristo. De grande importância são os Exercícios Espirituais anuais e a formação permanente.
Além disso, é necessário suscitar a consciência missionária nos presbíteros. A Igreja sabe que é urgente a missão em todo o mundo, não somente "ad gentes", mas também dentro do próprio rebanho da Igreja, já estabelecida há séculos nos países do mundo cristão. É preciso promover, nas nossas Dioceses e nas nossas paróquias, um verdadeiro impulso missionário. Todos os nossos países tornaram-se terra de missão, em sentido estrito. É preciso suscitar nos presbíteros e em nós mesmos, um novo fogo, uma nova paixão para levantar-se e ir ao encontro das pessoas, lá aonde vivem e trabalham, para anunciar-lhes novamente o Kerigma, o primeiro anúncio sobre a pessoa de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, e Seu Reino, para conduzi-las a um encontro pessoal e, sucessivamente, comunitário com o Senhor.
O nosso amado Papa Bento XVI, referindo-se à situação dos nossos países de tradição cristã secular, disse: "Devemos refletir seriamente sobre o modo em que hoje podemos realizar uma verdadeira evangelização, e não somente uma nova evangelização, mas muitas vezes uma verdadeira e própria primeira evangelização (...); não é suficiente que procuremos manter o rebanho já existente" (Discurso aos Bispos alemães, 21-08-2009), precisamos realizar uma verdadeira missão. Não basta acolher as pessoas que vêm ao nosso encontro, nas paróquias ou nas casas paroquiais. É necessário levantar-se e ir em busca, antes de tudo, dos muitíssimos batizados que se distanciaram da participação na vida de nossas comunidades, e também de todos aqueles que pouco ou nada conhecem de Jesus Cristo.
A missão sempre renovou a Igreja. O mesmo acontece com os presbíteros, quando partem em missão. Eis, portanto, todo um programa a ser desenvolvido neste Ano Sacerdotal.
Cardeal Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo
Prefeito da Congregação para o Clero |